MITOS ISLÂMICOS

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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Os mitos sobre al-Andalus

Por: Eduard Yitzhak*

Grande parte da esquerda e os islamitas repetem o mito da tolerância do Islão na época do al-Andalus

Continuamente se repete que: "Al-Andalus foi uma civilização que irradiou uma personalidade própria tanto no Ocidente como no Oriente. Situada na terra dos encontros, dos cruzamentos culturais e fecundas mestiçagens, al-Andalus foi esquecida, depois de seu esplendor, tanto pela Europa como pelo universo muçulmano, como uma bela lenda que não pertencera a nenhum dos dois mundos".

A península ibérica foi submetida pela espada ao islão, foi al-Andalus, terra dos vândalos, em árabe.
Durante a segunda metade do século VIII produziu-se uma séria cisão no império muçulmano. Uma ruptura dinástica que acabou com os omíadas que governavam em Damasco, para entronizar os abássidas, que se assentaram em Bagdad. Um príncipe omíada fugido de Damasco, Abderrahman I, penetraria en al-Andalus formando um novo Estado com base em Córdoba: o emirado, independente da política bagdali.

Oito emires se sucederam de 756 a 929, com diversos insurreições maometanas e moçárabes (cristãos ibéricos vivendo sob a dominação muçulmana e  de seus descendentes) – até que Abderrahman III decidiu fundar um califado, declarando-se Emir al-Muminin (príncipe dos crentes), o qual lhe outorgava, além do poder terreno, o poder espiritual sobre a umma (comunidade de crentes).

Abderrahman III e seu sucessor al-Hakam II, apaziguaram a população, permitiram a colaboração em seus domínios de judeus e cristãos. Fizeram acordos com os cristãos, construíram e ampliaram numerosos edifícios – alguns notáveis como a Mesquita de Córdoba – e se rodearam da inteligência de sua época. Mantiveram contactos comerciais com Bagdad, França, Tunis, Marrocos, Bizâncio, Itália, e Alemanha.

Enquanto isso, no final do século XI, no Magreb ocidental, hoje Marrocos, surgiu um novo movimento político e religioso no seio de uma tribo bérbere do sul, os lamtuna, que fundaram a dinastia almorávida. Em pouco tempo, sua atitude religiosa fundamentalista, fanática e intransigente "convenceu grande parte da desencantada população, e com o seu apoio empreenderam uma série de contendas logrando formar um império que abarcaria parte do norte da África e al-Andalus que, através do rei sevilhano al-Mutamid, tinha pedido sua ajuda para frear o avanço cristão.

Liderados Ibn Tashfin, penetraram os almorávidas na Península, infligindo uma séria derrota às tropas de Alfonso VI em Sagrajas. Logo conseguiriam acabar com os reis dos emirados e governar al-Andalus, não sem certa oposição da população, que se rebelava contra seu modo intransigente e fundamentalista.

Os cristãos obtiveram durante isso importantes avanços, conquistando Alfonso I de Aragão, Zaragoça em 1118. Ao mesmo tempo, os almorávidas viam ameaçada sua  própria supremacia por um novo movimento religioso surgido no Magreb: o almoáda. Esta nova dinastia foi gerada no meio de uma tribo bérbere procedente do coração do Atlas que, chefiada pelo guerreiro Ibn Tumart, logo se organizou para derrocar os seus predecessores. Também a partir de Marraquech, governaram e se fizeram com as rendas de al-Andalus. Entretanto, da mesma forma que os almorávidas, terminaram por sucumbir ante o relaxamento do islão que tinham os fiéis muçulmanos.

O islão floresceu intelectualmente em al-Andalus quando se relaxou e rompeu com a umma governada a partir de Bagdá, e com o islão oficial e imperante. Abderrahman III e Hakam II possuíam o poder terreno e espiritual da umma em terras ibéricas. Foram uns "traidores" do espírito do islão. A umma não pode ser fracionada segundo as leis corânicas.

É a época do esplendor de al-Andalus. Ainda que permitissem aos judeus e cristãos colaborar em seus domínios muçulmanos, eram dhimmis, cidadãos de segunda classe, porém melhor tratados que os anteriores e posteriores emires.

Os que recorrem ao mito da tolerância em al-Andalus, omitem voluntariamente ou por ignorância, que quando houve — relativamente — mais tolerância foi na época do maior relaxamento e distância do islão, e que a maior reislamização, com os almorávidas e com os almoádas, maior era a intolerância e perseguição de judeus e cristãos e de heterodoxos muçulmanos. Quando em al-Andalus os muçulmanos se distanciavam do islão podia florescer a cultura. Mas de onde provinha essa cultura?

Os árabes se expandiram a partir da península de Arábia, no século VII, impelidos pelo islão. Eram beduínos sem acervo cultural importante, mas com o islão, cópia do judaísmo e do cristianismo nestoriano1, acreditavam num só D-us, incitados por Maomé a impor seu credo, e ante a negativa dos judeus a seguir-lhes os fazia degolar. Foi o início de sua Jihad contra "os outros". Maomé mesmo sancionou o massacre de Qurayza, uma tribo judaica derrotada no século VII. Designou um "árbitro" que logo rendeu este julgamento conciso: os homens deviam ser submetidos à morte, as mulheres e as crianças vendidas como escravos e o botim dividido entre os muçulmanos. 

Maomé ratificou este juízo, indicando que era um decreto divino pronunciado do alto dos Sete Céus. Assim, entre 600 e 900 homens de Qurayza foram conduzidos por ordem de Maomé ao Mercado de Medina. As fundações caíram, os homens foram decapitados e os cadáveres enterrados nas valas, enquanto Maomé presenciava. As mulheres e as crianças foram vendidas como escravos e várias delas foram distribuídas como presentes entre os aparentados a Maomé, que escolheu uma das mulheres de Qurayza (Rayhana) para ele próprio. As propriedades dos Qurayza e outras possessões (incluindo as armas) também foram divididas como botim adicional entre os muçulmanos, para sustentar as campanhas adicionais da Jihad.

Al-Mawardi, jurista de Bagdá, era um erudito prolífico que viveu durante a chamada Idade Dourada islâmica do califado Abbássida de Bagdá e faleceu em 1058. Escreveu a seguinte citação, baseando-se em interpretações extensamente aceitas do Corão e Sunna (ou seja, as palavras e o atos registrados de Maomé), com respeito aos capturados infiéis de campanhas da Jihad:

 "Quanto aos captivos, o emir [governante] tem a escolha de tomar a ação mais beneficente de quatro possibilidades: a primeira, condená-los à morte cortando-lhes os pescoços; a segunda, escravizá-los e aplicar as leis da escravidão com respeito à venda e a libertação; a terceira, lista de bens ou presos; e quarta, mostrar-lhes favor e perdoá-los. Alá, que seja venerado, diz, ‘Quando você se encontrar com aqueles (infiéis) que negam (a Verdade = islão) então corta-lhes os pescoços (Corão, sura 47, verso 4)"....Abu'l-Hasan al-Mawardi, al-Ahkam as-Sultaniyyah." (As Leis do
Governo Islâmico, traduzidas pelo doutor Asadullah Yate, (Londres), Ta-Ha Editores Ltd., 1996, p. 192)

A "sagrada" prática muçulmana da decapitação do infiel se baseia nas "regras" corânicas reiteradas por todas as quatro escolas clássicas de jurisprudência islâmica, através do vasto império muçulmano. Por séculos, da península ibérica até o subcontinente hindu, as campanhas da Jihad empreendidas pelos exércitos muçulmanos contra os infiéis — judeus, cristãos, zoroastristas, budistas e hindus — foram marcadas por massacres, com decapitações em massa. Durante o período do domínio muçulmano "iluminado", os cristãos da Toledo ibérica, que inicialmente submeteram os seus invasores muçulmanos árabes em 711 ou 712, depois se rebelaram em 713. Na dura represália muçulmana que resultou, Toledo foi saqueada e todos os cristãos proeminentes foram degolados.

As decapitações recentes de infiéis por muçulmanos inspiradas pela Jihad ocorreram em todo o mundo - cristãos na Indonésia, nas Filipinas e na Nigéria; sacerdotes e mulheres hindus "descobertas" na Cachemira; o jornalista judeu do The Wall Street Journal, Daniel Pearl. Não deve surpreender-nos que estes paroxismos contemporâneos da violência da Jihad eram acompanhadas das decapitações rituais. Tais atos horríveis são, de fato, aprovados pelos textos sagrados islâmicos, e pela jurisprudência muçulmana clássica. 

As reclamações vazias — dos relativistas culturais e dos que predicam sobre alianças entre "civilizações" — que as decapitações da Jihad são de certa forma "alheias ao islão verdadeiro," são totalmente falsas, e por bem-intencionados que fossem, minavam os esforços sérios para reformar e desacralizar a doutrina islâmica.

Os guerreiros árabes entraram em contato com a cultura européia graças aos tradutores judeus cristãos nestorianos que povoavam a península da Arábia e as terras conquistadas pelos muçulmanos. Seu grande aporte à cultura e civilização foi ter traduzido os textos da filosofia e do saber grego — da Europa — ao árabe, sendo a maior parte dos tradutores judeus.

Os árabes aprenderam que com a força militar da espada do islão, com o medo que infundiam seus guerreiros e com a doutrina corânica podiam se estender amplamente.

Os mais civilizados entre eles foram suficientemente inteligentes em pedir a colaboração dos intelectuais de sua época, em grande parte judeus, que contribuíram — traduzindo — o saber dos gregos clássicos, e desenvolveram este conhecimento. Foram inumeráveis os tradutores judeus que transmitiram aos muçulmanos os tesouros da literatura científica da Grécia antiga. Formavam uma legião de matemáticos, astrônomos e médicos judeus no mundo árabe.

Entre os que se encarregavam de descobrir obras clássicas e traduzi-las ao árabe se conta uma multidão de doutores judeus e cristãos sírios. Eles contribuíram de maneira decisiva para cimentar os fundamentos para o desenvolvimento posterior no mundo do islão. Os nomes dos judeus que exerceram sua atividade nas escolas superiores árabes, e de al-Andalus — são quase incontáveis. Até o século XIX não eram conhecidos esses nomes, muitos dos quais são apenas reconhecíveis nos caracteres árabes, e valorizado sua contribuição no campo da astronomia, química, e de a matemática e da medicina, tal como ressalta Werner Keller en seu trabalho "Und wurden zerstreut unter alle Völker".

Os muçulmanos que querem um retorno às fontes do islão criticam o relaxamento de Abderrahman III, de Hakam II, o rei erudito que criou uma biblioteca de mais de 400 mil volumes, porque a partir da ruptura da umma, e da independência do califado de Bagdá, em 1031, cai a dinastia omíada, e começam a surgir reinos independentes de emirados em toda al-Andalus, e os reinos cristãos poderão expulsar da península ibérica os muçulmanos.

Os puristas do islão culpam o pensamento ocidental e o estado laico de Kemal Ataturk na Turquia como as causas de sua declinação e decadência religiosa.

Os ocidentais que "admiram" a "tolerância" que houve em al-Andalus não querem lembrar que esta tolerância foi breve e totalmente incompleta – os dhimmis judeus e cristãos eram cidadãos de segunda classe – e o pensamento que os árabes contribuíram os árabes era em grande parte devido aos judeus e o saber era de matriz européia – Grécia Antiga. O declínio político religioso, o distanciamento com o islão, permitiu o florescimento cultural, e graças a "tolerância" a colaboração de judeus e cristãos.

Actualmente qualquer esperança de que o islão se modernize é remota, possivelmente uma ilustração necessitaria de um par de séculos ou mais. Os muçulmanos estão sendo controlados cada vez mais pelos islâmicos, que admiram os almoádas que perseguiram os dois maiores filósofos de Al-Andalus, o médico judeu Maimônides e o cadji (juiz) muçulmano Averrois.

Os ventos da modernidade sopram em direcção contraria aos que se movem pela Europa árabe. Os “eurábicos” têm medo da liberdade, fazem autocensura, os jornais não publicam caricaturas do islão, mas de judeus e cristãos. As óperas de Mozart são censuradas por medo de ofender os muçulmanos, porém  não da mesma forma se se ofende judeus e cristãos. Há medo, medo da liberdade.

Notas:
1. O Nestorianismo é uma doutrina cristã, nascida no Século V, segundo a qual há em Cristo duas pessoas distintas, uma humana e outra divina, completas de tal forma que constituem dois entes independentes. A doutrina surgiu em Antióquia e manteve forte influência na Síria, e é sustentada ainda hoje pela Rosacruz e outras doutrinas ligadas à gnose. Foi proposto por Nestório, monge oriundo de Alexandria, que assumiu o bispado de Constantinopla. Ele se opôs a Cirilo, bispo de Alexandria. No Concílio de Éfeso, em 431, resolveu-se adotar como verdade de fé a doutrina proposta por Cirilo, e os nestorianos foram considerados hereges.

Os nestorianos foram desterrados do Império Romano, todavia, em algumas regiões isoladas do Oriente Próximo é ainda possível encontrá-los. Os nestorianos se propagaram pela Ásia Central, chegando até a China, e durante algum tempo influenciaram os mongóis, até a conversão destes ao lamaísmo, quando abandonaram o nestorianismo. 

Atualmente subsistem as igrejas nestorianas na Índia e no Iraque (Igreja Assíria), Irã, China e nos Estados Unidos e em outros lugares onde tenham migrado comunidades cristãs dos países citados. Os nestorianos tiveram papel fundamental na conservação de antigos textos gregos que foram traduzidos para o siríaco (um ramo do arameu). Mais tarde foram traduzidos para o árabe e no século XIII para o latim.

2. Averróis ou Abu al-Walid Muhammad Ibn Ahmad Ibn Munhammad Ibn Ruchd, filósofo árabe nasceu em Córdoba, 1126 e morreu em Marrakech, 1198. Foi um dos maiores conhecedores e comentaristas de Aristóteles. Aliás, o próprio Aristóteles foi redescoberto na Europa graças aos comentários de Averróis que muito contribuíram para a recepção do pensamento aristotélico. Averróis também se ocupou com astronomia, medicina e direito canônico muçulmano.
* Eduard Yitzhak é escritor e um dos principais colaboradores do website Es-Israel (www.es-israel.org), parceiro do jornal Visão Judaica.


sábado, 10 de agosto de 2013

MITO: Maomé tornou a cidade de Meca mais tolerante

A maior parte das pessoas concorda que, após 13 anos a pregar a sua nova religião em Meca, Maomé não teve muito sucesso e devido a isso, viu-se forçado a fugir de Meca com os seus 150 seguidores. Foi durante o tempo que ele esteve fora da cidade de Meca que ele formou um exército militar, e regressou 8 anos mais tarde (como conquistador) para a cidade que o havia rejeitado.

Os maometanos que não conhecem assim os registos deixados pelos historiadores islâmicos acreditam que Meca era uma cidade de perseguição religiosa extrema, onde era imperioso conquistar os malignos pagãos devido ao perigo que eles representavam. Supostamente, depois da conquista, Maomé perdoou toda a gente e todos passaram a viver em harmonia, desfrutando da nova era de paz e tolerância religiosa que o islão trouxe à cidade. 

Os maometanos actuais têm uma necessidade imensa de acreditar que a sua religião transformou a cidade de Meca numa cidade melhor, visto que se o islão não era melhor que o paganismo que havia dominado previamente, então o islão tem poucas hipóteses de ser melhor que a religião Ocidental, ou melhor que as outras alternativas que existem hoje.

Infelizmente para os maometanos, a imagem pintada pelos historiadores islâmicos está em total contraste com aquilo que os maometanos querem tão desesperadamente acreditar. A realidade dos factos é que o islão transformou uma cidade altamente tolerante, e religiosamente pluralista, numa das duas cidades do mundo onde só aqueles que professam a fé dominante têm permissão para entrar. (Sem surpresa alguma, a outra cidade onde só os membros da fé local podem entrar é Medina).

Antes de Maomé, Meca era uma das seis cidades da Arábia que continha uma Ka'ba - o edifício com a forma dum cubo que albergava centenas de ídolos e artefactos religiosos. Os habitantes de Meca eram, em larga escala, politeístas que adoravam cada um o seu deus preferido, respeitando os deuses venerados pelos demais. Meca era também o local da peregrinação religiosa anual, onde as pessoas das regiões circundantes visitavam a cidade e lá permaneciam por um período de 4 meses. Pessoas de terras distantes tinham permissão para guardar os seus deuses dentro da Ka'ba (incluindo Hindus). Havia também uma secção reservada aos Judeus e aos Cristãos, que adoravam lado a lado com os outros. 

Os habitantes permitiam a conversão para outras confissões religiosas, e como tal, não há registo de perseguição contra aqueles que practicavam a sua fé sem insultar os outros. Até a própria experiência de Maomé é evidência do desejo dos habitantes de Meca de viver paz. Segundo as fontes islâmicas, o povo de Meca não se importava que Maomé pregasse a sua nova religião, tal como ele começou a fazer em 610 quando tinha 40 anos. Eles apenas pediram que ele fosse tão tolerante com eles tal como eles o eram em relação a ele. 

O auto-proclamado "profeta" Maomé, no entanto, violou a tradição, insultou abertamente as religiões locais, e insultou os ancestrais das pessoas que as practicavam. (Ver  MITO: Maomé foi perseguido em Meca por pregar o Islão). 

Isto não só causou grande ofensa, mas colocou em causa a fonte de rendimento de muitos residentes. Mesmo assim, as pessoas permitiram que Maomé pregasse durante 13 anos, mesmo sabendo que a sua pregação era uma ofensa para os locais. Isto revela o quão tolerantes os habitantes de Meca eram. Na verdade, foram os maometanos os primeiros a verter o sangue do inimigo à medida que se foram tornando cada vez mais violentos e ao mesmo tempo que crescia o cepticismo geral da sociedade.

Para sermos totalmente justos, houve alguns habitantes de Meca que responderam de forma igualmente violenta depois dos maometanos passarem a ser violentos. No entanto, a Sira só regista a morte de uma pessoa (um escravo envelhecido e devido ao stress) e nenhuma morte é regista pelas Hadith. A presença de Maomé foi tolerada até ao momento em que ele se aliou a uma tribo estrangeira contra a cidade onde ele mesmo vivia. Quando as coisas chegaram a este ponto (em 622), Maomé foi expulso de Meca.

Embora os seus adversários tivessem ficado satisfeitos em deixá-lo em paz em Medina - para onde ele fugiu juntamente com os membros da sua seita - Maomé não superou a amargura da rejeição de que foi alvo em Meca. Ele perturbou constantemente os habitantes de Meca atacando as suas caravanas e forçando-os a conflitos armados. Eventualmente ele enganou-os a assinar um pacto de não-agressão com a validade de 10 anos, o que deixou Meca indefensável perante o exército de Maomé quando este tomou a decisão de quebrar o acordo que tinha feito, e atacar a cidade de surpresa menos de dois anos após a assinatura do acordo de paz. 

[ed: É precisamente devido a incidentes como este que a palavra de alguém que tem Maomé como exemplo moral não vale nada. Acordos com maometanos devotos não são vinculativos para ele porque, segundo o profeta do islão, é perfeitamente moral violar acordos com os não-maometanos.]

A violenta história do islão primitivo deixa pouca margem de manobra para os apologistas islâmicos na sua vã tentativa de defender a tese de que a sua religião é pacífica e tolerante. A ocupação de Meca após a vitória de Maomé é normalmente o seu exemplo primário uma vez que a conquista de Maomé não precedeu um massacre em larga escala dos residentes locais (excepto a aniquilação de quem quer que tentasse defender a sua casa da ocupação estrangeira, o que foi feito por alguns). 

No entanto, é fascinante a forma como os próprios defensores do maometanismo colocam o nível de exigências num patamar bem baixo. 

Segundo as narrativas de Ibn Ishaq/Hisham, e as narrativas de outros historiados maometanos, era absurdamente óbvio que os habitantes de Meca não queriam qualquer tipo de conflito, não estavam preparados para um conflito e não contavam que Maomé marchasse contra a sua cidade com um exército de 10,000 homens. Não há qualquer razão para esperar que estas pessoas inocentes fossem chacinadas (para além do facto de Maomé já ter ordenado a morte de outras pessoas no passado).

Sem surpresa alguma, houve algumas pessoas que foram de facto condenadas à morte por Maomé ("um pequeno número de pessoas que foram mortas mesmo que se fossem encontradas por baixo das cortinas da Ka'ba" Ishaq/Hisham 818, ver também Abu Dawud 2677). Entre estas pessoas encontravam-se antigos inimigos de Maomé que o haviam ridicularizado e o haviam rejeitado no passado, incluindo duas raparigas escravas que haviam cantado músicas sobre ele:

Ele tinha duas raparigas cantoras, Fartana e a sua amiga, que costumavam cantar músicas de sátira emrealção oa aóstolo, e devido a isso, ele ordenou a sua execução.  (Ibn Ishaq/Hisham 819)

O dono delas, Ibn Khatal, um apóstata do islão, foi também morto por Maomé mesmo quando se tentou refugiar no que era considerado o lugar mais sagrado:

O Apóstolo de Alá entrou em Meca no ano da sua Conquista usando um capacete Árabe na sua cabeça; quando ele o tirou da cabeça, uma pessoa aproximou-se dele e disse "Ibn Khatal agarrou-se à cobertura da Ka'ba (buscando refúgio na Ka'ba)." O Profeta disse, "Matem--no." (Bukhari 29:72, Muslim 7:3145)

Um antigo escriba de Maomé, com o nome de Abdullah, fez também parte da lista de pessoas a serem executadas devido ao facto dele ter abandonado o islão depois de se ter apercebido que as "revelações" de Alá eram arbitrárias, coisa que ele notou quando sugeriu a Maomé mudanças em torno das palavras "reveladas" - palavras essas que deveriam ser "revelações imutáveis". 

Tal como muitos outros, Abdullah conseguiu preservar a sua vida "convertendo-se" ao islão pouco antes da sua execução. Em vez de ridicularizar aqueles que o haviam ridicularizado, ou oferecer a outra face (como Um Outro "Profeta" Jesus havia pregado previamente), Maomé matou aqueles que não se arrependeram do "crime" de o terem rejeitado. 

Foi por esta altura que Meca, uma das cidades mais tolerantes do mundo, se tornou numa das mais opressivas e intolerantes cidades da altura (e actuais). A primeira ordem de serviço de Maomé foi destruir os ídolos do povo que permitiu que ele pregasse a sua religião na sua cidade durante 13 anos:

O Profeta entrou em Meca e (por essa altura) existiam por lá 360 ídolos em volta da Ka'ba. Ele começou a esfaquear os ídolos com o pedaço de pau que tinha na sua mão recitando: "A Verdade (islão) chegou e a Falsidade (descrença) foi erradicada." (Bukhari 43:658)

Depois disto, o profeta do islão mandou os seus homens destruir os templos das outras tribos, tanto em redor de Meca (Ibn Ishaq/Hisham 840) como em localizações tão remotas como o Iêmen (Bukhari 59:643).

Com o fim violento da sua religião, a maior parte dos habitantes de Meca não teve outra escolha senão "abraçar" (na sua aparência exterior) a religião exacta que eles haviam rejeitado de forma assertiva durante os 21 anos prévios, antes de terem uma espada colada aos seus pescoços. Afirmar que esta conversão foi genuína (como alegado por alguns apologistas islâmicos) é esticar a credulidade para além dos limites do imaginável.

Antes de expulsar aqueles que se recusaram a converter ao islão, Maomé usou a força aliada dos habitantes de Meca para conquistar a cidade vizinha de al-Taif como vingança pela sua rejeição de Maomé (e, ironicamente, por estes se recusarem a formar uma aliança com Maomé contra Meca). 

Passados que estavam alguns meses, Maomé encontrava-se em posição de poder violar todos os seus pactos e expulsar os não-maometanos que ainda se encontravam na sua cidade.

Mas quanto os meses sagrados houverem transcorrido, matai os idólatras, onde quer que os acheis; capturai-os, acossai-os e espreitai-os; porém, caso se arrependam, observem a oração e paguem o zakat, abri-lhes o caminho. Sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo. - Alcorão 9:5







As rezas e as "ofertas para os pobres encontram-se entre os pilares do islão - a salat e o zakat, respectivamente. Segundo o texto mais sagrado do islamismo, portanto, a única forma dos politeístas evitarem a morte era a conversão para o islão ou a fuga da cidade. Considere-se o destino dum idoso que preferiu rezar à sua maneira:

O Profeta recitou a Suratan-Najm (103) em Meca e prostrou-se enquanto a recitava, do mesmo modo que quem se encontrava com ele também se prostrou excepto um idoso que pegou em pedras pequenas ou areia, levantou a mão até a sua teste e disse, "Isto é suficiente para mim." Mais tarde, viu-o a ser morto como um descrente.  (Sahih Muslim 19:173)

Escusado será dizer isto, mas aqueles que, depois dos 4 meses de graça, não professavam fé nas palavras de Maomé, eram impedidos de voltar a Meca e de levar a cabo a peregrinação - tradição que já ocorria há séculos. Segundo o Alcorão, isto era assim não porque eles constituíssem algum tipo de perigo físico, mas sim porque eles eram "impuros" (Alcorão 9:28).

A história da expulsão violenta de não-maometanos das suas cidades pode também ser encontrada em Ibn Ishaq/Hisham 920-923. 

Os apologistas maometanos frequentemente alegam que Maomé apenas ordenou a matança dos pagãos que haviam "violado o acordo", mas o contexto histórico revela que o mandamento de lutar aplicava-se "aos politeístas que haviam violado o acordo, bem como aqueles que tinham um acordo geral passados que estivessem os 4 meses que lhes haviam sido conferidos como período fixo" (Ishaq/Hisham 922). Por outras palavras, os descrentes tinham 4 meses para abandonar as suas casas, quer eles tivessem feito algo de errado ou não.

Aqueles que ficaram na outrora tolerante cidade de Meca passaram a viver sob uma teocracia draconiana onde uma demonstração externa de religiosidade era exigida por Maomé como um teste à lealdade pessoal. Aqueles que se recusavam a agir em conformidade eram, literalmente, queimados vivos:

O Profeta disse 'Nenhuma reza é mais difícil que a reza Fajr e a reza Isha', mas eles soubessem as recompensas que são obtidas mediante estas rezas feitas no tempo certo, eles certamente que se apresentariam (nas mesquitas) mesmo que tivessem que rastejar.'  O Profeta acrescentou 'Certamente que ordenei que o Mu'adh-dhin (o homem que faz o chamamento para as rezas)  anunciasse o Iqama e ordenasse um homem para liderar as rezas, e posteriormente, pegasse em fogo de modo a queimar todos aqueles que não haviam abandonado as suas casas (para vir rezar), bem como para queimar as suas habitações.' Bukhari 11:626

Os Judeus e os Cristãos não foram poupados da intolerância religiosa. De facto, eles foram eventualmente perseguidos e expulsos da Península Arábica segundo os mandamentos finais de Maomé, quando este se encontrava no seu leito de morte:
Vou expulsar os Judeus e os Cristãos da Península Arábica e não vou deixar mais ninguém a não ser muçulmanos. (Sahih Muslim 4366)
Portanto, não só Maomé expulsou os não-muçulmanos de Meca, como os baniu de todo de se aproximarem da Ka'ba. Este foi um extraordinário exemplo de hipocrisia por parte do "profeta" do islão uma vez que, de acordo com a Surah 2, prevenir as pessoas de adorarem na Ka'ba era uma"perseguição", e era algo tão sério que Alá permitiu a chacina como forma de acabar com ela.

O isláo tornou-se, então, um sistema com padrões distintos onde "a força determina o que está certo" [inglês: "might makes right"], e onde a moralidade da acção é julgada pelos seus efeitos prácticos - especificamente, se ajuda os muçulmanos e o islão ou não - e não pela natureza do acto em si.

Esta forma de pensar perdura até aos dias de hoje: os maometanos exigem liberdade para pregar a sua fé nos países não-muçulmanos mas trabalham de modo activo para negar às outras confissões religiosas essa mesma liberdade nos seus países (ou em zonas onde eles se encontram em número suficiente para modificar as leis e os costumes).

Semelhantemente, eles insistem que as pessoas devem ser livres para se converterem ao islão, mas ninguém não têm liberdade para abandonar o islão ("Quem abandonar a fé islâmica deve ser morto" - Volume 9, Livro 84, Número 5).

Conclusão:

Os efeitos da remoção do paganismo pré-islâmico em favor do intolerante sistema de Maomé são manifestos. Cinquenta anos depois da morte de Maomé, a Ka'ba, que se havia mantido durante séculos sob a bandeira da liberdade religiosa e do respeito pela fé alheia, encontrava-se em ruínas devido a mais uma das muitas guerras entre os maometanos que se geraram após a morte do "profeta".

Actualmente, os maometanos continuam a lutar uns contra os outros e não há país islâmico no mundo que permite de modo real a liberdade para se pregar outras confissões, ou recrutar jovens maometanos para fora da fé islâmica - algo que Maomé teve a liberdade para fazer em Meca em favor da sua religião. 

Em contraste com a sua história pré-islâmica, a cidade de Meca tem hoje a "honra" de ser, em termos de liberdade religiosa, a cidade mais intolerante do mundo, visto que os não-maometanos não têm sequer a permissão para a visitar. Como é normal, os apologistas maometanos não falam disto.

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Mitos em torno de Maomé

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MAOMÉ - O CONQUISTADOR














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